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Apoio às CPIs, uma questão de coerência

 

O Brasil vive um momento de grave crise política em que os cidadãos, a cada dia, assistem, perplexos, à revelação de novas e graves irregularidades. As movimentações financeiras do empresário Marcos Valério já ultrapassam a incrível marca de R$ 1 bilhão de reais no período que compreende o atual governo e o governo anterior do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A CPI dos Correios, , faz um trabalho de investigação extremamente competente, em que os depoimentos, transmitidos em cadeia nacional, são apenas uma pequena parte. Dias, noites e finais de semana têm sido gastos na análise de montanhas de documentos fiscais e de movimentações financeiras das empresas envolvidas. É preciso descobrir com clareza a origem e o destino de tanto dinheiro, de onde saíram esses recursos e quem se beneficiou deles.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi muito feliz em dizer que as investigações devem ir até o fim, com toda a profundidade. É preciso achar os responsáveis e puni-los, doa a quem doer. É este o objetivo da CPI e é exatamente isso que estão fazendo. Um trabalho de investigação isento e imparcial, que mostrará ao Brasil, em poucos meses, tudo a respeito dos escândalos noticiados diariamente há mais de um mês.

Todos do PT deve apoiar qualquer tentativa de abertura de CPIs que tenha um mínimo de consistência e indícios. Não se deve fazer como no governo FHC, onde infelizmente tudo era abafado.
Lamentavelmente, o governo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso nunca teve a mesma preocupação. Nos seus anos de governo, a corrupção foi abafada com a força de emendas e de pressão sobre a base no Congresso. Foi assim na tentativa de investigação da compra de votos para a reeleição, em que deputados foram flagrados vendendo votos por R$ 200 mil. Foi assim no escândalo das privatizações, até hoje sombreadas por uma infinidade de suspeitas de favorecimento porque as CPIs foram abafadas pelo governo do PSDB.

Foi assim na chamada CPI das Empreiteiras e na CPI da Corrupção, que envolviam denúncias de desvio de verbas de auxiliares de FHC, também abafadas e nem sequer abertas no Congresso. Foi assim com o escândalo da Pasta Rosa, do socorro inexplicável de mais de R$ 7 bilhões a pequenos bancos. Em oito anos de governo do PSDB, Fernando Henrique foi vítima de mais de uma dezena de graves acusações, cujo destino foi a completa falta de investigação porque o governo, naquela época, não permitiu que se investigasse.

Uma omissão criminosa, porque funcionou como uma alimentadora da corrupção. Não tenho dúvidas em afirmar que, se lá atrás tivessem sido investigadas todas as fraudes, muitas delas não teriam se repetido, inclusive envolvendo Marcos Valério em um esquema que, agora se sabe, vem de muito longe.

Felizmente, o presidente Lula tem uma postura diferente, apoiando as investigações. E o Congresso Nacional tem agido com imparcialidade, com a única preocupação de tudo investigar para que os responsáveis possam pagar pelos seus atos. . Não vamos queremos que se jogue a sujeira para debaixo do tapete, independentemente de quem esteja envolvido